Gênero e Poder
a presença das mulheres na direção das centrais e confederações sindicais
DOI:
https://doi.org/10.33239/rjtdh.v8.252Resumo
Introdução: O artigo visa a identificar o percentual de mulheres que ocupavam ao final de 2023, em cinco centrais sindicais, e em julho de 2024, em vinte confederações sindicais, cargos de liderança com poder decisório singular, diante do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 05 das Organizações das Nações Unidas (ODS 5) que prevê a necessidade de alcance da igualdade de gênero e empoderamento de todas as mulheres e meninas, inclusive na liderança em todos os níveis de tomada de decisão na vida política, econômica e pública.
Objetivo: Demonstrar que que existe desigualdade de gênero nas posições decisórias de liderança nas centrais e confederações sindicais, diante do reduzido percentual de participação feminina nos cargos de direção.
Metodologia: Exploratória com análise quantitativa, baseada na extração de dados dos painéis estatísticos do Ministério do Trabalho e Emprego do Poder Executivo Federal e dos sites institucionais das centrais e confederações sindicais, com posterior recorte de cinco centrais e vinte confederações sindicais de modo a identificar o gênero dos ocupantes de cargos de direção.
Resultados: Apenas 24% dos ocupantes de cargos de liderança com poder decisório singular nas vinte confederações escolhidas são mulheres, o que está alinhado com a média de resultados das cinco centrais sindicais de 25,3% de ocupação das posições de presidentes e vice-presidentes por mulheres.
Conclusão: A baixa representatividade de mulheres nos cargos de liderança em centrais e confederações sindicais foi comprovada, permitindo inferir a existência de discriminação de gênero e falhas nas políticas públicas de igualdade e empoderamento feminino.
PALAVRAS-CHAVE: centrais sindicais; confederações sindicais; desigualdade de gênero; discriminação; sindicalismo.
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