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Revista Jurídica Trabalho e Desenvolvimento Humano
Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região
MIRANDA, Maria Eduarda C. de; MELLO, Lawrence E. de; WYSYKOWSKI, Adriana B. Vieira. O reconhecimento da
depressão como doença ocupacional: uma análise dos processos em trâmite no 1º grau do Tribunal Regional do
Trabalho da 5ª Região (TRT5) entre 2021-2023. Revista Jurídica Trabalho e Desenvolvimento Humano, Campinas,
v.8, p. 1-33, 2025. DOI: https://doi.org/10.33239/rjtdh.v8.285.
Já no ano de 2021, a Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças
Crônicas por Inquérito Telefônico, organizada pelo Ministério da Saúde22, analisou as
vinte seis capitais brasileiras e o Distrito Federal, observando a frequência do
diagnóstico de depressão em adultos na porcentagem de 11,3%, tendo Belém o menor
percentual (7,2%) e Porto Alegre o maior (17,5%), demonstrando um aumento nos
casos de depressão no país se comparado à pesquisa de 2019 anteriormente citada.
Mais especificamente em relação aos afastamentos laborais no país em razão
de adoecimento mental, há estudo organizado pela Central Única dos Trabalhadores,
apontando que no ano de 2020 foram afastados do ambiente laboral 289.677
trabalhadores por conta da depressão, ansiedade ou outros transtornos mentais,
número consideravelmente superior ao ano de 2015, que apontou 170.830
afastamentos pelas mesmas razões23.
De acordo com a central sindical, que teve como fonte de pesquisa os dados
abertos da previdência coletados no INSS e nos Ministérios do Trabalho e Previdência,
entre esses anos de 2015 e 2020, os benefícios por incapacidade temporária
concedidos em razão de transtornos mentais e comportamentais subiu de 8,43% para
12,45% do total de doenças registradas, com destaque para a depressão.
No entanto, apesar do caráter emergente da depressão na
contemporaneidade, persiste a dificuldade no reconhecimento do caráter
ocupacional do transtorno, impactando, dentre outras esferas, na concessão de
benefícios acidentários, nos quais é reconhecido o nexo entre a doença e o trabalho,
em contraponto aos benefícios previdenciários, onde esse nexo não é necessário,
22 BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Vigitel Brasil 2021: vigilância de
fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico: estimativas sobre
frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas
capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal em 2022. Brasília, DF: Ministério da Saúde,
2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-
conteudo/publicacoes/svsa/vigitel/vigitel-brasil-2021-estimativas-sobre-frequencia-e-distribuicao-
sociodemografica-de-fatores-de-risco-e-protecao-para-doencas-cronicas/@@download/file/vigitel-
brasil-2021.pdf. Acesso em: 9 maio 2025.
23 FETQUIM/CUT. Em 5 anos, número de afastamentos por transtornos mentais cresce mais de 50%.
CUT, São Paulo, 1 set. 2022. Disponível em: https://www.cut.org.br/noticias/em-5-anos-numero-de-
afastamentos-por-transtornos-mentais-cresce-mais-de-50-7fe5. Acesso em: 9 maio 2025.